{"id":334,"date":"2015-04-13T18:38:12","date_gmt":"2015-04-13T21:38:12","guid":{"rendered":"https:\/\/11ponto11servidor.com.br\/blogsrsiape\/?p=334"},"modified":"2015-04-13T18:38:12","modified_gmt":"2015-04-13T21:38:12","slug":"dossie-energia-e-a-crise-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/11ponto11servidor.com.br\/blogsrsiape\/dossie-energia-e-a-crise-no-brasil\/","title":{"rendered":"Dossi\u00ea: Energia e a crise no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\">O\u00a0<\/span>ano come\u00e7ou com um susto para boa parte do pa\u00eds: na tarde do dia 19 de janeiro, uma falha desligou parcialmente a energia em regi\u00f5es de 11 estados e no Distrito Federal. N\u00e3o se sabe ao certo o total de pessoas que ficaram \u00e0s escuras, mas s\u00f3 em S\u00e3o Paulo pelo menos 2 milh\u00f5es foram afetados. De acordo com o Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico (ONS), respons\u00e1vel por coordenar a transmiss\u00e3o el\u00e9trica em territ\u00f3rio nacional, problemas na transfer\u00eancia de energia das regi\u00f5es nordeste e norte para o sudeste obrigaram o \u00f3rg\u00e3o a realizar cortes controlados para n\u00e3o agravar a situa\u00e7\u00e3o. Apesar de os t\u00e9cnicos garantirem que se tratou apenas de um erro pontual, a falta de energia \u00e9 apontada como uma das quest\u00f5es mais delicadas para 2015.<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/YH68mU-_xfyKCWrDbLx_uhOva7o=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/02\/26\/284_dossie_01.jpg\" alt=\" (Foto: Revista Galileu)\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que muita coisa mudou desde <strong>2001, ano em que o pa\u00eds viveu a pior crise energ\u00e9tica de sua hist\u00f3ria<\/strong>, motivada pela <strong>falta de \u00e1gua nos reservat\u00f3rios das usinas hidrel\u00e9tricas e, principalmente, pela diminui\u00e7\u00e3o nos investimentos na infraestrutura de distribui\u00e7\u00e3o de energia<\/strong>. Para tentar contornar o problema e evitar um apag\u00e3o nas cidades, o governo de Fernando Henrique Cardoso <strong>obrigou a popula\u00e7\u00e3o a reduzir em 20% os gastos da conta de luz, com multa em caso de n\u00e3o cumprimento da determina\u00e7\u00e3o<\/strong>. \u201cHavia a cren\u00e7a de que o planejamento do Estado n\u00e3o era importante e de que o mercado resolveria as coisas, mas isso n\u00e3o deu certo\u201d, afirma S\u00e9rgio Bajay, professor do departamento de energia da Unicamp, que na \u00e9poca assumiu um cargo na dire\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio de Minas e Energia para contornar a crise.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 2003, parte dos problemas no setor foi amenizada com a expans\u00e3o das linhas de transmiss\u00e3o de energia pelo territ\u00f3rio nacional, al\u00e9m da <strong>diminui\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia brasileira das hidrel\u00e9tricas com a constru\u00e7\u00e3o de novas usinas termel\u00e9tricas, que produzem calor para gerar energia a partir de combust\u00edveis f\u00f3sseis, recursos org\u00e2nicos e processos nucleares<\/strong>. Um novo per\u00edodo de estiagem registrado nos \u00faltimos meses, no entanto, recolocou o sistema em alerta. <strong>Os reservat\u00f3rios de \u00e1gua que alimentam as usinas hidrel\u00e9tricas do sistema sudeste\/centro-oeste registravam pouco menos de 17% de sua capacidade no final de janeiro de 2015<\/strong>, cen\u00e1rio bem pior que o de 2001, quando o n\u00edvel era superior a 31%. \u201cEnquanto na regi\u00e3o sul as m\u00e9dias hist\u00f3ricas de chuva est\u00e3o sendo superadas, no sudeste passamos o final da primavera e come\u00e7o do ver\u00e3o com pouca chuva, sobretudo nas cabeceiras que abastecem os reservat\u00f3rios\u201d, diz Luiz Cavalcanti, chefe do Centro de An\u00e1lise de Previs\u00e3o do Tempo do Instituto Nacional de Meteorologia.<\/p>\n<p>Para compensar a escassez da \u00e1gua (respons\u00e1vel por acionar as turbinas das hidrel\u00e9tricas, que respondem por uma parte expressiva da energia produzida no pa\u00eds), o governo teve de contratar termel\u00e9tricas, que geram energia a um pre\u00e7o superior \u2014 em alguns casos at\u00e9 oito vezes maior.<a ref=\"magnificPopup\" href=\"https:\/\/blogdosrsiape.files.wordpress.com\/2015\/04\/shutterstock_185972390.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-335\" src=\"https:\/\/blogdosrsiape.files.wordpress.com\/2015\/04\/shutterstock_185972390.jpg?w=300\" alt=\"shutterstock_185972390\" width=\"300\" height=\"223\" \/><\/a><strong>\u201cA quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a possibilidade de racionamento, mas o alto custo de opera\u00e7\u00e3o das termel\u00e9tricas, que acaba acumulando uma d\u00edvida a ser paga pelos consumidores\u201d,<\/strong>afirma Roberto d\u2019Ara\u00fajo, professor do Instituto de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa de Engenharia da UFRJ. Em 2014, houve a inje\u00e7\u00e3o de cerca de R$ 20 bilh\u00f5es no setor, conta que ser\u00e1 paga pelos bancos estatais e pelo consumidor, com reajustes m\u00e9dios na conta de luz estimados em 40%.<\/p>\n<p>Apesar de o Minist\u00e9rio de Minas e Energia descartar a possibilidade de racionamento para este ano, <strong>ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter certeza do cen\u00e1rio para os pr\u00f3ximos meses devido ao regime de chuvas<\/strong>. \u201cNo in\u00edcio de 2014 tamb\u00e9m se falava de racionamento, mas n\u00e3o se pode tirar nenhuma conclus\u00e3o at\u00e9 abril, quando se encerra o per\u00edodo \u00famido\u201d, afir\u00adma Maur\u00edcio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica, \u00f3rg\u00e3o vinculado ao minist\u00e9rio. A possibilidade de um novo apag\u00e3o s\u00f3 evidencia a import\u00e2ncia de acelerar obras de infraestrutura e da busca por energias alternativas, para que n\u00e3o precisemos viver, literalmente, no escuro.<\/p>\n<p><strong>SISTEMA INTEGRADO<\/strong><br \/>\n<strong>Quase todo o territ\u00f3rio nacional \u00e9 atendido por rede interligada de energia<\/strong><\/p>\n<p>Especialistas no setor el\u00e9trico n\u00e3o t\u00eam d\u00favida ao afirmar que <strong>a falta de investimentos em infraestrutura foi a principal causa da crise el\u00e9trica de 2001, fato potencializado pela escassez de chuvas no per\u00edodo.<\/strong> Desde ent\u00e3o, o pa\u00eds passou por uma expans\u00e3o: se em 2001 a capacidade energ\u00e9tica instalada correspondia a 75 mil megawatts, em 2014 esse n\u00famero saltou para quase 134 mil megawatts. Para fazer essa energia abastecer resid\u00eancias e todo o setor econ\u00f4mico, o pa\u00eds conta com o Sistema Interligado Nacional (SIN), respons\u00e1vel por cobrir mais de 98% do territ\u00f3rio nacional com linhas de transmiss\u00e3o que distribuem a energia el\u00e9trica de acordo com a demanda das regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Operado pela ONS, <strong>o SIN conta com extens\u00e3o superior a 110 mil quil\u00f4metros<\/strong>, dist\u00e2ncia equivalente a quase tr\u00eas vezes a circunfer\u00eancia da Terra. \u201cCom uma rede interligada, \u00e9 poss\u00edvel ter a complementa\u00e7\u00e3o de diferentes fornecedores de energia. Al\u00e9m disso, em uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia energ\u00e9tica, \u00e9 poss\u00edvel buscar aux\u00edlio em outra regi\u00e3o do pa\u00eds\u201d, afirma o professor S\u00e9rgio Bajay.<\/p>\n<p>Ainda assim, o modelo de leil\u00f5es que privilegia a contrata\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica para as grandes empresas e a falta de planejamento a longo prazo para buscar alternativas mais eficientes e baratas ainda s\u00e3o quest\u00f5es n\u00e3o resolvidas pelo atual modelo adotado no pa\u00eds. \u201cTemos recursos tecnol\u00f3gicos, naturais e humanos para fazer um sistema robusto que n\u00e3o sofrer\u00e1 danos mesmo nas piores circunst\u00e2ncias hidrol\u00f3gicas\u201d, diz o professor Ildo Sauer, diretor do Instituto de Eletr\u00f4nica e Energia da USP. \u201cCom a tarifa que o povo paga, temos capacidade de fazer mais e melhor.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/MipldNu6uakzp0dE4XVMOZw6bPk=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/02\/26\/284_dossie_02.jpg\" alt=\" (Foto: Revista Galileu)\" \/><\/p>\n<p><strong>O FUTURO EST\u00c1 NO VENTO<\/strong><br \/>\n<strong>Energia e\u00f3lica \u00e9 a principal aposta do pa\u00eds para os pr\u00f3ximos anos<\/strong><\/p>\n<p>Se h\u00e1 pouco tempo a energia e\u00f3lica era considerada uma utopia ecol\u00f3gica, hoje sua viabilidade econ\u00f4mica j\u00e1 a coloca como <strong>alternativa real para abastecer o planeta nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas<\/strong>. At\u00e9 quem \u00e9 considerada uma das maiores poluidoras aderiu \u00e0 nova fonte de energia: sedenta por encontrar alternativas vi\u00e1veis para manter seu crescimento econ\u00f4mico, a China lidera a produ\u00e7\u00e3o e\u00f3lica mundial, com capacidade instalada de mais de 75 mil megawatts e planos para atingir 220 mil megawatts at\u00e9 2020. \u201cCom a melhora da tecnologia, que aumentou a produtividade das m\u00e1quinas e diminuiu o pre\u00e7o, a fonte e\u00f3lica se tornou muito competitiva, al\u00e9m de ser limpa e renov\u00e1vel\u201d, afirma Elbia Gannoum, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia E\u00f3lica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/N9WbvpMvBrPBYOQ1bkMvR1mm0eA=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/02\/26\/284_dossie_03.jpg\" alt=\"Cata-vento:  o Rio Grande do Sul e o nordeste s\u00e3o os locais mais favor\u00e1veis para a instala\u00e7\u00e3o de parques e\u00f3licos com alto \u00edndice de produtividade (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)\" \/><\/p>\n<p>Os parques e\u00f3licos, constru\u00eddos de acordo com a potencialidade do regime de ventos em determinada regi\u00e3o, operam por meio de m\u00e1quinas que parecem grandes cata-ventos. A partir do movimento de suas p\u00e1s, um gerador consegue produzir energia el\u00e9trica, distribu\u00edda para a rede a partir de uma central de transmiss\u00e3o. No Brasil,<strong> a participa\u00e7\u00e3o dessa fonte corresponde a mais de 3% da matriz el\u00e9trica, com produ\u00e7\u00e3o de 6 mil megawatts de energia.<\/strong><\/p>\n<p>Os principais parques e\u00f3licos do Brasil, localizados no Rio Grande do Sul e principalmente na regi\u00e3o nordeste, t\u00eam potencial para produzir muito mais energia do que atual\u00admente, resolvendo a depend\u00eancia nacional da energia hidrel\u00e9trica, al\u00e9m de frear o custo das termel\u00e9tricas. \u201cCom o dinheiro gasto em termel\u00e9tricas, seria poss\u00edvel construir 15 mil megawatts de usinas e\u00f3licas, que seriam operadas nos pr\u00f3ximos anos a um custo muito reduzido\u201d, diz o professor Ildo Sauer. Com 242 usinas instaladas no pa\u00eds, a expectativa do governo \u00e9 que o pa\u00eds alcance a <strong>s\u00e9tima coloca\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o e\u00f3lica mundial em 2015<\/strong> e que, em oito anos, essa fonte de energia corresponda a 11% da matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/0XFNMjI3l_CiMiOjXrbj8IIPz4o=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/02\/26\/284_dossie_04.jpg\" alt=\" (Foto: Revista Galileu)\" \/><\/p>\n<p><strong>DO SOL AO LIXO<\/strong><br \/>\n<strong>Produ\u00e7\u00e3o de energia alternativa quer mostrar-se como op\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>A China \u2014 quem diria \u2014 \u00e9 mais uma vez citada como exemplo mundial para a produ\u00e7\u00e3o de energia alternativa em larga escala. Em 2014, o pa\u00eds contava com 33 mil megawatts de <strong>energia solar instalada, n\u00famero dez vezes superior a sua produ\u00e7\u00e3o em 2010<\/strong>. Com o barateamento das placas respons\u00e1veis por captar a energia do Sol e transform\u00e1-la em eletricidade, o Brasil finalmente despertou para essa op\u00e7\u00e3o em outubro do ano passado, quando um leil\u00e3o disponibilizou 890 megawatts para empresas interessadas. \u201cO governo s\u00f3 esperava utilizar a matriz solar daqui a muitos anos, mas as empresas entenderam que \u00e9 poss\u00edvel produzir a pre\u00e7os competitivos\u201d, afirma Mauro Passos, presidente do Instituto de Desenvolvimento de Energias Alternativas na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Outra op\u00e7\u00e3o para gerar energia a partir de fontes alternativas parece ins\u00f3lita, mas tamb\u00e9m desponta como possibilidade para ser utilizada em larga escala: com mais de 28 milh\u00f5es de toneladas de lixo, o aterro sanit\u00e1rio paulistano S\u00e3o Jo\u00e3o tornou-se desde 2008 um produtor de energia a partir da produ\u00e7\u00e3o natural de biog\u00e1s dos detritos. \u201cAl\u00e9m de ser um neg\u00f3cio vi\u00e1vel, voc\u00ea deixa de lan\u00e7ar um g\u00e1s t\u00f3xico na atmosfera, o metano, para transform\u00e1-lo em energia\u201d, diz Douglas Ramponi, gerente operacional da usina. Por meio de tubula\u00e7\u00f5es, o g\u00e1s gerado pela decomposi\u00e7\u00e3o do lixo \u00e9 levado para motores respons\u00e1veis por movimentar o gerador de energia, produzindo eletricidade para uma popula\u00e7\u00e3o estimada em mais de 200 mil habitantes.<\/p>\n<p><strong>PARA TODOS<\/strong><br \/>\n<strong>Vitrine do governo, programa de acesso \u00e0 energia beneficiou 15 milh\u00f5es de pessoas<\/strong><\/p>\n<p>O Censo realizado no ano 2000 pelo IBGE revelou um n\u00famero alarmante: mais de 2 milh\u00f5es de fam\u00edlias em \u00ad\u00e1reas rurais do Brasil n\u00e3o possu\u00edam energia el\u00e9trica. Para combater esse problema, desde 2003 o governo conta com o programa Luz para Todos, que prev\u00ea a instala\u00e7\u00e3o gratuita da rede el\u00e9trica na moradia que solicita o atendimento, al\u00e9m do recebimento de um kit composto por at\u00e9 tr\u00eas l\u00e2mpadas e duas tomadas. \u201cO Luz para Todos traz a quest\u00e3o do direito de acesso \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica\u201d, diz Ednaldo Jos\u00e9 da Silva Camargo, que fez sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado na USP sobre o tema. At\u00e9 agora, mais de 15 milh\u00f5es de pessoas foram beneficiadas, com investimentos estimados em R$ 23 milh\u00f5es. O encerramento do programa, inicialmente previsto para o ano passado, foi estendido pela presidente Dilma Rousseff at\u00e9 2018, com o objetivo de atender \u00e0s 228 mil fam\u00edlias em \u00e1reas rurais que ainda n\u00e3o t\u00eam acesso a energia. \u201cH\u00e1 uma comunidade remanescente de quilombolas no munic\u00edpio de Iporanga, no Vale do Ribeira. \u00c9 necess\u00e1rio ir de barco e depois caminhar para chegar at\u00e9 l\u00e1\u201d, diz Camargo. \u201cAmplie esta realidade para as comunidades localizadas entre rios e florestas no pa\u00eds, e teremos ideia do desafio desse programa.\u201d<\/p>\n<p><strong>PASSAPORTE CARIMBADO?<\/strong><br \/>\n<strong>Com alto custo de extra\u00e7\u00e3o, lucros do pr\u00e9-sal dependem das varia\u00e7\u00f5es do mercado<\/strong><\/p>\n<p>Desde 2007, quando a Petrobras anunciou a descoberta de uma \u00e1rea em alto-mar capaz de abrigar, no m\u00ednimo, 35 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo, lan\u00e7ou-se a ideia de que essa nova fonte de recursos seria um\u00a0 &#8220;passaporte para o futuro&#8221;,\u00a0 beneficiando o pa\u00eds com investimentos em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Mas retirar aquele petr\u00f3leo n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil: localizado a at\u00e9 300 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia da terra firme, as reservas est\u00e3o a quase sete quil\u00f4metros de profundidade, com uma camada de at\u00e9 2 quil\u00f4metros de sal que precisa ser perfurada. Toda essa opera\u00e7\u00e3o envolve um alto custo de pesquisa e desenvolvimento na hora da extra\u00e7\u00e3o, com investimentos estimados em US$ 102 bilh\u00f5es at\u00e9 2018.<\/p>\n<p>No entanto, a crise econ\u00f4mica na Europa, a desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento chin\u00eas e uma manobra pol\u00edtica da Ar\u00e1bia Saudita para desestabilizar advers\u00e1rios fizeram o pre\u00e7o dos barris de petr\u00f3leo despencar 60% em sete meses, chegando a US$ 45 no in\u00edcio de janeiro. O pre\u00e7o fixado do barril deveria estar na casa dos US$ 60 para que a extra\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal fosse considerada lucrativa. Ainda assim, de acordo com especialistas, seria um erro deixar de investir nessa opera\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio olhar para o mercado como um maratonista, e n\u00e3o como um fundista\u201d, afirma Alexandre Szklo, professor do Instituto de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa de Engenharia da UFRJ. \u201cA Petrobras precisa realizar uma an\u00e1lise capaz de observar a longo prazo: nos anos 1980 e 1990 o pre\u00e7o do petr\u00f3leo esteve a pre\u00e7os moderados e n\u00e3o se interrompeu o programa porque foi poss\u00edvel atingir uma viabilidade econ\u00f4mica adequada.\u201d At\u00e9 agora, 500 mil barris associados ao pr\u00e9-sal s\u00e3o extra\u00eddos todos os dias, representando um quarto da produ\u00e7\u00e3o nacional de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p><strong>CANTEIRO DE OBRAS<\/strong><br \/>\n<strong>Depois de muito atraso, megaconstru\u00e7\u00f5es ser\u00e3o entregues nos pr\u00f3ximos anos<\/strong>)<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/9HQLImodoHg0eW_tJfFSqb6qQko=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/02\/26\/284_dossie_06.jpg\" alt=\"Usina da disc\u00f3rdia:  ao custo de R$ 30 bilh\u00f5es, Belo Monte \u00e9 contestada por ambientalistas e movimentos sociais  por seu impacto na regi\u00e3o do rio Xingu, no Par\u00e1  (Foto: PAulo Santos\/ Reuters)\" \/><\/p>\n<p><strong>USINA DA DISC\u00d3RDIA: AO CUSTO DE R$ 30 BILH\u00d5ES, BELO MONTE \u00c9 CONTESTADA POR AMBIENTALISTAS E MOVIMENTOS SOCIAIS POR SEU IMPACTO NA REGI\u00c3O DO RIO XINGU, NO PAR\u00c1 (FOTO: PAULO SANTOS\/ REUTERS)<\/strong><\/p>\n<p>Entre as dez maiores obras do PAC 2, segunda parte do programa econ\u00f4mico de acelera\u00e7\u00e3o do crescimento implantado pelo governo federal em 2010, quatro dizem respeito \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica no pa\u00eds. Duas delas, as usinas hidrel\u00e9tricas de Jirau e Santo Ant\u00f4nio, j\u00e1 entraram parcialmente em opera\u00e7\u00e3o, enquanto a hidrel\u00e9trica de Belo Monte e a nuclear Angra 3 ainda est\u00e3o longe de ter suas obras conclu\u00eddas. Al\u00e9m da demora, causada pelo cen\u00e1rio econ\u00f4mico adverso, a constru\u00e7\u00e3o de megaprojetos como Belo Monte desperta a preocupa\u00e7\u00e3o de ambientalistas e movimentos sociais por causa do alagamento de \u00e1reas para a constru\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios de \u00e1gua, que provoca a destrui\u00e7\u00e3o de florestas e o deslocamento das popula\u00e7\u00f5es locais da regi\u00e3o do rio Xingu, no Par\u00e1. Com custo estimado em R$ 30 bilh\u00f5es, a usina produzir\u00e1 mais de 11 mil megawatts de eletricidade, tornando-se a terceira maior hidrel\u00e9trica do mundo. A previs\u00e3o \u00e9 que Belo Monte entre em opera\u00e7\u00e3o parcial ainda este ano, mas s\u00f3 tenha suas obras completamente conclu\u00eddas em 2019.<\/p>\n<p>Outra grande obra ligada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de energia tamb\u00e9m gera pol\u00eamica. Ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o das usinas nucleares Angra 1 e 2, no sul do Rio de Janeiro, uma nova unidade capaz de gerar 1,4 mil megawatts de energia est\u00e1 prevista para ser finalizada at\u00e9 2018. Ao custo de R$ 14,9 bilh\u00f5es, o projeto ainda faz parte do acordo assinado entre Brasil e Alemanha em 1975, quando o governo militar come\u00e7ou a elaborar um programa nuclear no pa\u00eds. Apesar de esse tipo de energia despertar apreens\u00e3o por causa do risco de acidentes, os executivos da usina garantem que, assim como nas outras unidades de Angra, a nova constru\u00e7\u00e3o possuir\u00e1 sistema de seguran\u00e7a capaz de resfriar o n\u00facleo do reator e os geradores de vapor, garantindo um desligamento seguro em caso de emerg\u00eancia. Atualmente, 71 reatores nucleares est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o no mundo, com capacidade instalada total de mais de 68 mil megawatts.<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/xoQrDQhocDbQlbp1lwx8i_JysIg=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2015\/02\/26\/284_dossie_05.jpg\" alt=\" (Foto: Revista Galileu)\" \/><\/p>\n<p><strong>ENERGIA INTELIGENTE<\/strong><br \/>\n<strong>Por meio de redes IP, distribui\u00e7\u00e3o de energia ser\u00e1 mais eficiente<\/strong><\/p>\n<p>O desenvolvimento de redes el\u00e9tricas capazes de tomar decis\u00f5es aut\u00f4nomas sem a necessidade de interven\u00e7\u00f5es humanas \u00e9 a aposta para os pr\u00f3ximos anos. Isso permite que falhas sejam identificadas com mais agilidade, al\u00e9m de contribuir para maior efici\u00eancia na distribui\u00e7\u00e3o de energia entre as regi\u00f5es de acordo com a avalia\u00e7\u00e3o da demanda. Empresas de tecnologia j\u00e1 desenvolvem redes inteligentes que se conectam por IP e permitem a integra\u00e7\u00e3o das diferentes cadeias de transmiss\u00e3o da eletricidade. \u201cOs medidores residenciais realizar\u00e3o checagens a cada 15 minutos, permitindo a visualiza\u00e7\u00e3o on-line do consumo de energia de nossas resid\u00eancias\u201d, afirma Severiano Macedo J\u00fanior, gerente de desenvolvimento de neg\u00f3cios da norte-americana Cisco. Em novembro do ano passado, a companhia fechou uma parceria com a Eletropaulo para a instala\u00e7\u00e3o de uma rede inteligente em Barueri, na Grande S\u00e3o Paulo. Com investimentos estimados em 75 milh\u00f5es, o projeto instalar\u00e1 62 mil medidores, que funcionar\u00e3o por meio de uma rede sem fio, al\u00e9m de permitir que a transmiss\u00e3o de dados seja realizada pelo pr\u00f3prio cabo de eletricidade.<\/p>\n<p><strong>Fonte: \u00a0O GLOBO<\/strong><\/p>\n<p><a ref=\"magnificPopup\" href=\"https:\/\/blogdosrsiape.files.wordpress.com\/2015\/03\/o-sr-siape.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-125\" src=\"https:\/\/blogdosrsiape.files.wordpress.com\/2015\/03\/o-sr-siape.png?w=300\" alt=\"o sr siape\" width=\"300\" height=\"172\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O\u00a0ano come\u00e7ou com um susto para boa parte do pa\u00eds: na tarde do dia 19 de janeiro, uma falha desligou parcialmente a energia em regi\u00f5es de 11 estados e no Distrito Federal. 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